O que é Sketch to Scale e como esse conceito pode melhorar as embalagens dos produtos

Entrevista com Leandro Santos Managing Director & Vice President da Flex Brasil

A Flex se posicionou como um fornecedor de soluções avançadas e inovadoras para o mundo. Sketch to Scale faz parte do conceito de serviços da companhia para permitir aos clientes repensar o negócios, digitalizar e criar produtos saindo do mundo analógico e migrando para o digital. Isto envolve inovação e renovação na fabricação, venda, logística, sustentabilidade e, agora, a Economia da Web.

As embalagens inteligentes, integram as estratégias que a Flex oferece para seus clientes, onde proporcionam interatividade entre produtos e sistemas e, também, produtos e pessoas, favorecendo toda a Cadeia de Suprimentos. As soluções que podem ser habilitadas incluem, além da Identificação e Rastreamento, Autenticação de Produtos, Experiências Inovadoras aos Clientes e Sustentabilidade.

Para Leandro Santos, Diretor Geral e Vice-Presidente na Flex Brasil a embalagem inteligente é o elo que faltava para tornar o mundo corporativo mais digital, trazendo serviços e informações importantes sobre os produtos para os consumidores. Hoje, muitas empresas que fazem parte do Ecossistema da Flex estão planejando seus produtos com embalagens inteligentes e tornando tangíveis as vantagens do Smart Packaging para fabricantes de eletrônicos, bebidas, medicamentos, etc.

Leandro Santos apresentando a estratégia da Flex para o Comitê de Prevenção e Perdas da ABINEE no Sincpress

Algumas demandas, segundo Leandro, envolvem a necessidade de melhorar o contato das marcas com o consumidor final tanto quantitativa quanto qualitativamente. Outro ponto importante e relevante para a Flex, é a preocupação com a Sustentabilidade: “Temos a preocupação de tornar todos esses avanços tecnológicos adequados às necessidades do meio ambiente”, concluiu.

Leia a entrevista na integra.

Leandro Santos – Managing Director/Vice President at Flex Brazil, the world’s leading Sketch-to-Scale™ solutions company

Laís Garcia: Você pode definir rapidamente o que é o conceito Sketch to Scale da Flex?

Leandro Santos: A Flex sempre foi uma empresa de serviço de fabricação de eletrônicos e fabricávamos produtos normalmente para clientes desse setor. Até por isso o nome antes era Flextronics. Há seis anos, a Flex percebeu as mudanças que o mundo vivia, e a de que é difícil você criar diferenciações entre o mundo mais digital e o mundo menos digital. No passado, existiam indústrias que eram muito analógicas, ou seja, que não tinham conteúdo tecnológico, e outras, em menor número, que já tinham conteúdo tecnológico. Hoje, essa diferença acabou. Hoje não importa se a empresa faz bloco de cimento ou um supercomputador, ela precisa participar desse mundo ultra conectado à cadeia de fornecimento, de relacionamento com o cliente, sustentabilidade e na forma como interage com a sociedade. Então a Flex se posicionou como um fornecedor de soluções para que empresas que precisam transacionar desse mundo, que era um mundo analógico para esse novo mundo, que é o mundo ultra conectado e digital, em que as pessoas se comunicam muito mais rápido e que decisões são tomadas baseadas em dados e conexões.

O Sketch to Scale permite que qualquer empresa, de qualquer mercado, possa usar a Flex como parceiro para entrar na era digital, para fazer essa conversão e participar ativamente desse novo mundo.

Para os clientes mais tradicionais, participamos da co-inovação do projeto até colocar no mercado. Porém, para os clientes que não eram “tradicionais-Flex” no Brasil, ou seja, da indústria de eletroeletrônicos – e existem vários exemplos no mundo automotivo, no mundo médico, ajudamos a repensar o negócio a partir do mundo digital e também a co-inovar no produto, transformando e colocando conteúdo digital ou criando novos produtos e a partir daí, a comercializar no mundo todo, de uma maneira integrada.

Aqui no Brasil estamos um passo além. Aqui, fornecemos não só a questão Sketch to Scale, mas adicionamos o “circulate”. Ou seja, fazemos o Sketch, o Scale e garantimos que dentro do nosso ecossistema nada mais deixa de ser aproveitado. Conseguimos trazer esse produto de volta para a cadeia quando ele não tiver mais uso e transformá-lo em matéria prima, para assim, produzir outro produto equivalente, fechando o ciclo de economia circular também dentro do ecossistema da Flex no Brasil.

Isso é o Sketch to Scale, a ajuda que as empresas precisam para participar desse mundo novo, digital e conectado, desde a hora em que pensam ou repensam o negócio, o produto, o mercado, até a venda e a economia circular.

LG: Como você enxerga o mercado de Smart Packaging aqui no Brasil e no mundo?

LS: Na realidade, quando a gente fala de Smart Packaging, precisamos classificar um pouco o que é, e o que traz de inovação. Ou seja, “qual é a inovação do Smart Packaging?”. A embalagem sempre foi um componente passivo do produto. Ela era feita para proteger ou para comunicar algumas informações onde, em sua maioria, eram de caráter “assegurado”, ou seja, obrigação do fabricante colocar a informação para o cliente final na embalagem. Algumas empresas já tinham algo de inteligência para atrair o consumidor com aquela embalagem diferente. Mas ainda assim, a embalagem era passiva. Alguém precisava ir lá, pegar e “ler”. Alguém precisava ir lá e fazer algo com ela. O Smart Packaging traz uma característica que permite a embalagem ser ativa no relacionamento com um produto.

LG: E como que isso foi criado?

LS: Todo produto eletroeletrônico, ou pelo menos a grande maioria, tem um código único igual a um ser humano. O ser humano tem um DNA único e cada pessoa tem também o RG e/ou CPF. O celular tem um IMEI. O computador tem um MAC Address. E agora a embalagem tem sua propria identificação única. Então não existem mais duas embalagens iguais. Você consegue através de um código que pode ser impresso na própria embalagem identificá-la de uma forma única, e também disponibilizar que essa tecnologia digital se conecte e alimente todo banco de dados com informações e possibilidades para que a embalagem interaja com o produto e o consumidor final.

Então, primeiro ela pode interagir aumentando a disponibilidade das informações que já são obrigatórias e transformar o trivial para aproveitar qualquer mercado, qualquer produto, em qualquer lugar no Brasil afora, expandindo-se.

Hoje, as marcas conseguem, por exemplo, colocar soluções de realidade aumentada para que o produto fale com um fornecedor fazendo parte do que normalmente o representante de vendas faria ou, fazer com que a caixa se comunique com o produto e com o consumidor para garantir que tenha sua origem identificada. Concluo que, Smart Packaging habilita uma série de soluções, que trazem desde uma identidade única, proteção da marca, rastreabilidade da cadeia de suprimentos até experiência do usuário e toda a análise e tratamento de dados que poedm ser feitos a partir disso.

LG: Como você vê essa nova tecnologia? Acredita então que é um mercado em potencial?

LS: Eu vejo um potencial enorme, além de ser uma tecnologia nova, estamos investindo muito nisso aqui no Brasil porque queremos estar na frente desse mercado e poder ajudar as empresas dentro desse modelo de Sketch to Scale, a participar do mundo digital de uma maneira muito mais integrada, rápida e simples.

LG: Então você assume que para conectar a Flex, Sincpress e o conceito de Smart Packaging com Sketch to Scale, seria por meio de inovação, correto?

LS: O Sincpress é um centro de excelência na tecnologia que vai habilitar conhecimento, informação e criar conexões. Ele está integrado ao Instituto de Tecnologia da Flex, o FIT. Então também vai habilitar acesso a outras tecnologias que integradas ao RFID, por exemplo, permitem explorar ao máximo outras tecnologias em diferentes momentos, como na hora de integrar o produto ao desenho da embalagem. Posteriormente a isso, entra a Flex fazendo toda parte da produção, distribuição e pós-venda.

Em resumo, acredito que o Sincpress seja uma extensão desse modelo para incluir o Smart Packaging dentro da solução de Skech to Scale e “circulate” que temos aqui no Brasil de uma maneira integrada.

LG: Você vislumbra alguma alteração na cadeia de suprimento devido à implementação de Smart Packaging?

LS: Eu imagino que muitos dos desejos das empresas de ter informação em tempo real com qualidade começam a se tornar mais próximos da realidade. Porque no momento em que a embalagem passa a ser uma peça fundamental do produto, interagindo, sendo ativa, podendo transmitir informação de uma maneira muito mais segura e muito mais rápida, isso possibilitará que muitas das dificuldades existentes hoje em controlar o fluxo e a originalidade dos produtos e até a rastreabilidade, se tornará algo muito mais simples.

Smart Packaging e as tecnologias permitem que o produto de um salto digital dentro da cadeia de fornecimento e na interação tanto com sistemas internos, como na interação com o cliente e o mercado externo, habilitando uma inovação extremamente bem vinda nesse momento em que o mundo se digitalizou. É como se fosse o elo que faltava numa cadeia para fechar parte dessas demandas que as empresas têm de ter mais informação, mais velocidade e de entender melhor o que está acontecendo com o seu produto

Exemplificando, porquê para o produto que já tem o IMEI (celular). Você consegue fazer isso. O MAC Address (computador e/ou notebook) se ele tiver em rede também, mas e um produto que não tem? É assim que a embalagem inteligente permite essa rastreabilidade para qualquer outro produto. Obviamente que hoje ela é muito viável para produtos de maior valor agregado que não tem uma identificação única, dando identificação para o produto, mas ao longo do tempo, com a tecnologia ficando mais acessível, ela deve dominar todos os ramos das indústrias e produtos.

LG: Aproveitando que você falou de deixar a tecnologia mais acessível, quais são os clientes que já se beneficiam dessa tecnologia proveniente do Sincpress no ecossistema Flex?

LS: Hoje existem dois grupos de clientes que já se utilizam dela. Um, a HP que é também parte da solução, pois desenvolveu algumas das tecnologias voltadas à impressão digital e com suas impressoras permitem que qualquer um as use. Onde uma boa parte de seu portfólio no Brasil já utiliza tecnologias inteligentes para facilitar implementações da Indústria 4.0 e que podem trazer digitalização e relacionamento com o consumidor de maneira bem avançada.

O segundo o grupo são os clientes do PIC (Product Innovation Center). Todo cliente hoje que entra no PIC já pode sair com uma solução de embalagem inteligente integrada para o produto dele. Neste cenário, temos duas startups trabalhando com a gente, em seus projetos as embalagens dos produtos já estão sendo pensadas com a tecnologia habilitadora para embalagens inteligentes e também dentro de um ciclo de economia circular.

E claro que, na própria Flex, os produtos que desenvolvemos internamente também já usam tecnologias para embalagens inteligentes.

Falando dos demais clientes, estamos começando a apresentar solução para que possam usar o que é mais rápido e adequado para seus produtos quando falamos da possibilidade da embalagem atuar em conjunto com o produto transmitindo informação. Hoje, muitos dos clientes de bens de consumo não têm o interesse imediato em rastreabilidade e originalidade, mas para outros, estamos começando a expandir o relacionamento com a pretensão de apresentar essa solução ainda neste ano de 2020.

LG: A última pergunta é se você enxergava o potencial de Smart Packaging para os outros clientes da Flex, mas ficou claro. Gostaria apenas saber como você e a Flex pretendem atacar, ou melhor, chegar nesses clientes.

LS: Temos duas linhas de trabalho.  Uma é mostrar a vantagem do Smart Packaging colocando base na implementação da tecnologia nas embalagens, ou seja, é fazer a embalagem parte da solução ativa que o produto precisa, eliminando a passividade da embalagem, transformando-a para ser ativa e se comunicar através de tecnologias combinadas. Hoje vejo que todos os clientes Flex poderiam aproveitar dessa mudança.

Tem um segundo grupo, os que não são clientes tradicionais da Flex pois não são da manufatura de eletrônicos. Os que são de mercados em que você tem produtos de alto valor agregado e que exigem soluções de segurança que hoje não estão disponíveis. Por exemplo, fabricantes de bebidas de alto valor, fabricantes de medicamento, que hoje tem dificuldade em garantir a procedência de seus produtos. Estamos buscando parcerias para essas áreas com algumas indústrias ou fabricantes para juntos desenhar tecnologias que resolvam as dificuldades que eles têm.

Aproveito para contar que, algumas surpresas surgiram nesse meio tempo. Uma foi que algumas demandas também de relacionamento com o consumidor, que não era o nosso foco, mas que já estamos começando a interagir apareceram. E a segunda, foi o contato de empresas que desejam automatizar o ponto de venda para entregar uma experiência do usuário positiva na hora da compra ou para qualquer que seja a necessidade do cliente no ponto de venda em si.

Por último, acho que dentro desse ecossistema é importante a gente falar que, tudo o que fazemos aqui, é pensado em como integrar nesse mundo novo, que não é só questão de negócios. Quando falamos do Sincpress, vemos que ele está inserido num ecossistema que preza por um negócio saudável, tecnologicamente avançado e que traz benefícios tanto para quem o implementa quanto para  quem usufrui do produto ou serviço final. Onde essa tecnologia é integrada dentro de um contexto de responsabilidade com o ser humano, uma responsabilidade que garante que as pessoas que participam do nosso ecossistema tenham um tratamento justo, que possam fazer a diferença. Que podem principalmente crescer e dar o exemplo para a sociedade nas cidades em que atuamos. E também, nos preocupamos de que isso seja bom para o meio ambiente, não só porque reduz o impacto ambiental, mas porque preserva o meio ambiente.

O Sincpress faz parte desse ecossistema que traduz mais que tecnologia, conectividade, mas um futuro responsável, de crescimento sustentável e humano.